segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Top of Mind 2008 e o fracasso da Eco 92

Na semana passada foi publicado o Folha Top of Mind 2008, que tem como objetivo apurar as marcas mais lembradas pelos brasileiros em diversas categorias (sic). Pelo segundo ano consecutivo considero que a categoria "Top Meio Ambiente" foi um fracasso a ser analisado pelas empresas e deveria fazer com que elas revissem a forma como realizam seus investimentos em sustentabilidade e meio-ambiente.

O resultado desse ano foi praticamente idêntico ao do ano passado. Num assunto tão velho e dabatido com fervor pelos mais diversos setores desde a Eco 92, quando se iniciou o desafio de encontrar formas mais sustentáveis de interagir com o planeta, é de se espantar que dos mais de 6 mil entrevistados, 63% deles não souberam relacionar uma marca com o tema responsabilidade ambiental.

Os que souberam citar uma marca citaram: Natura, Ypê, Ibama, Greenpeace e Petrobrás.

Desses 5, apenas Natura e Ypê podem ser consideras, afinal IBAMA, Greenpeace e Petrobrás não fazem mais que a obrigação de serem lembradas nesse ponto. Mas é aí que se encontra a distorção de valores.

Em pesquisa citada pela revista Top of Mind, e realizada pelo instituto Akatu, apenas 24% das pessoas cobram como as empresas se posicionam em relação ao meio-ambiete. Cobrar do governo e de ongs é uma coisa. Outra, totalmente diferente, é cobrar das empresas.

A pesquisa do Top of Mind mostra que as pessoas cobram mais do governo do que das empresas.

Mas o que se vê são empresas floreando e anunciando discursos sobre sustentabilidade e meio-ambiente e um governo muitas vezes perdido na questão ambiental, se degladiando com fazendeiros, entidades e políticos para encontrar soluções.

De que adianta investir dinheiro num discurso que ninguém entende?

Não estou tirando a importância do discurso. Acredito que a militância das empresas nessa área é de suma importância para o futuro do planeta. Porém acredito que deve existir um outro caminho para comunicar o compromisso social e finalmente ser percebido e cobrado por isso.

Já passou da hora de despolitizar o tema meio-ambiente no Brasil.

Meio-ambiente não é responsabilidade do governo. É responsabilidade de todos.

Dos mais pobres até os mais ricos, o planeta é a casa de todos.

É ingrato conviver num mundo aonde as pessoas morrem de medo do futuro num planeta inabitável mas não abandonam comportamentos nocivos ao meio-ambiente. Uma dezeeeena de atitudes, que podem parecer pequenas quando vistas individualmente, fazem muita diferença quando realizada por todos, pela maioria.

É um tema velho e que as pessoas já deviam ter entendido.

Na minha opinião, faltou educação.

As pessoas sabem que é importante cuidar do planeta mas não assumem responsabilidades. Nem de fazer o melhor pelo planeta, nem de cobrar empresas sobre seu papel social.

Se esse tema for deixado mais uma vez na mão do governo, vai continuar sendo ignorado.

Não adianta mais as empresas se pintarem de verde pois pesquisas como essa provam que isso é puro exibicionismo para agregar valor à marca. Falta para as empresas explicar para seus colaboradores e consumidores a importância se ser responsável com o meio-ambiente. Encontrar meios de fazer com que as pessoas troquem informações e participem ativamente de ações por um futuro mais sustentável, mesmo que só em casa, com atitudes simples, no dia-a-dia.

Enquanto a responsabilidade pelo futuro do planeta continuar somente na mão do governo, sinto muito, a campanha das empresas podem ser as mais bonitas do mundo, com as mensagens mais legais da Terra, não vai adiantar.

A internet, como ferramenta para uma mudança de comportamento e de visão, sem dúvida pode se tornar um fator transformador nesse aspecto.

A tal da inclusão digital um dia vai sair do papel e se tornar realidade. A questão é quando. Um dia vamos pagar pelos maus tratos ao planeta. A questão é quando.

Podemos unir capital, informação, tecnologia e pessoas pelo futuro do planeta.

A questão, novamente, é quando.

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